Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

A POLÍTICA DO ‘’PORQUINHO’’

(Artigo de opinião de uma leitora do Diário as Beiras do dia 5 de Setembro). Depois a minha opinião azeda.

 

Pois é. Devemos começar cedo se quisermos conseguir. Mas conseguir o quê? Aqui é que está o busílis da questão. Conseguir ter um aforro que permita encarar o futuro com uma prudente tranquilidade.
Assim, alguém se lembrou de ‘’porquinho’’ e vai daí resolveu atribuir a cada criancinha que nasça uma quantia, a que eu dada a crise, chamo simbólica.
À nascença as criancinhas dispõem de uma ‘’Conta Poupança Futuro’’ (creio que se chama pomposamente, assim). Mas com a longevidade a impor-se, tetravô também contribuiu para o pecúlio e mais o trisavô, a bisavó, a madrinha, etc. Deste modo o dito pecúlio foi enchendo o ‘’porquinho’’.
E mais. Todos os meses a ‘’choruda’’ importância do abono de família vai para o ‘’porquinho’’. E como a cena se repete até aos dezoito anos, ao chegar lá, o beneficiário - titular tem uma quantia apreciável. Com dezoitos anos a primeira coisa que lhe apetece fazer é comprar uma moto de alta cilindrada…
Mas eu não estou contra-poupar, sem avareza, é uma virtude, mesmo que não seja em tempo de crise. O que me surpreende é a falta de coerência. Parece que o detentor da ideia do ‘’porquinho’’ é um acérrimo defensor das criancinhas, mas só parece, porque por outro lado o seu pensamento é destrutivo em relação a elas.
Vejamos: defende o aborto – assim não há ‘’porquinho’’ para muitos; defende o divórcio – assim, como a destruição da família não há contribuição dos diferentes parentes; defende os casamentos homossexuais – assim, os dois papás ou as suas mamãs que a criancinha têm, não se entendem; defende a eutanásia – assim. Matando os parentes idosos, lá deixa de entrar no ‘’porquinho’’ a quantia que eu preconizei; defende o testamento vital que não senão substitui a morte, que é uma acontecimento numa decisão – cada um escolhe como quer e quando quer morrer (!); neste caso só falta escolher também o modelo de funeral a agência funerária. Por estas razoes, eu ri-me baixinho, para não incomodar os vizinhos, quando um dia deste ouvir o autor, da ideia da Conta Poupança, defender a sua ideia, com o ar mais cândido que se possa imaginar e com ar de quem convence. Mas convence mesmo, só que são sempre os que já estão de antemão, convencidos…
Opinião de Maria Fernanda Barroca no Jornal as Beiras de 5 de Setembro de 2005 “Coimbra”
 
E agora o meu azedume
Cada um tem o direito de expressar os seus pontos de vista.
Nesta história do Porquinho pareceu-me pouco provável que a opinião azeda fosse contra a política do mealheiro a contar da data do nascimento.
Honestamente, não acho necessidade de uma conta poupança para uma criaturinha que acaba de nascer. E porque não estou de acordo? Porque em tenra idade o meu pai também me fez o mesmo com uma caderneta da Caixa Geral de Depósitos. Ele não era rico e as migalhas que lá caíram não chegaram para comprar um maço de cigarros no tempo que ainda eram mais ou menos baratos.
Nunca vi a cor desse dinheiro. Vi uns anos mais tarde uma caderneta com o meu nome e uns míseros escudos sem valor para nada.
Aquela coisa denominada INFLAÇÃO, comeu tudo e mais alguma coisa.
Melhor o meu pai me tivesse comprado uns brinquedinhos e eu teria sentido alguma felicidade. Como não comprou, o resultado foi nulo e prejudicial para ele. Lucrou a CGD com os tostões do meu pai e de outros que seguiram as mesmas pisadas.
Pelo que lemos por aí abaixo, o preconceito é alargado a outras áreas que tocam as mentes do passado século onde a defesa da família antiga era cheia de valores. Talvez valores bolsistas em queda livre.
A minha idade viu durante anos e anos a felicidade exterior de muitas famílias acorrentadas aos velhos costumes: Sofrer em silêncio.
Famílias de bem onde os homens tinham privilégios e as mulheres tinham deveres. Entrarem em locais onde os homens destapavam a cabeça e as mulheres as tapavam (com os véus). Um costume que no oriente ainda se usa. A minha avó já me contava coisas absurdas sobre as crianças que eram abandonadas por vários motivos: Para que a sociedade não soubesse que a menina TAL tinha engravidado antes do casamento; porque a mãe solteira era pobre e abandonada pelo engravidador bem de vida; porque o filho nascido não tinha sido desejado e abortar era um crime.
Esta era a noção da dignidade, do respeito e era tida em conta pela grande maioria da população assistente com lugar cativo nas igrejas habituais.
Ela é contra o casamento entre homossexuais. Também sou. E sou porquê? Porque para se viver um amor não é necessário assinar nenhum contrato. Até pelo que tenho visto, quando essas pessoas resolvem passar ao papel essa união, já estão fartas de fazerem vida a dois. Depois, desculpem-me se exagero, depois é apenas o ShowOff. Liberdade de escolha é condição humana e isto eu não censuro.
Em seguida vem a retórica sobre a eutanásia. Outro mal que as alminhas não perdoam nem entendem porque lhes cobrem o cérebro com balelas de que o sofrimento é a purificação da alma. Ao gosto da Madre Tereza de Calcutá.
Sobre o testamento vital, o parágrafo anterior serve de resposta.
Mas sobre a referência à livre escolha - “cada um escolhe como quer e quando quer morrer (!); neste caso só falta escolher também o modelo de funeral a agência funerária.) Tou doido com esta frase. Doidinho porque sempre vi as pessoas escolherem a agência funerária, informarem-se do tipo de urna, quer no estilo quer na cor e para os menos abonados, escolherem o preço mais baixo. Vi e vejo sepulturas sumptuosas e outras sem telhado porque nem todos têm no bolso a quantia que isso custa.
Também sei de quem em vida pagou e há quem pague ainda hoje, a prestações e a pronto pagamento o seu próprio funeral com escolha do caixão que mais gosta. E esta heim!!!! Serão estas pessoas rotuladas de quê no entender desta senhora que resolveu escrever o artigo de opinião no jornal? Há alguma lei aprovada recentemente ou para aprovar brevemente que aprove ou criminalize a compra antecipada do funeral?
publicado por leituras azedas às 02:01
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