Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Comentário meu sobre um texto encontrado num site conservador

 

Li. Sim eu li. Li rapidinho e bastou.
Sou a favor de que cada pessoa tem o livre direito de expressar as suas opiniões e credos. Mas fiquei muito triste com o conteúdo. Aliás, fico triste com quase tudo que neste site se escreve.
Não sou nem nunca fui e muito menos serei herói. Comi ração de combate durante algum tempo mas não cheguei a herói. Mesmo jovem, eu sentia que aquela terra não era minha. Pensava e repensava se um dia alguém me entrasse dentro de casa e me dissesse que a partir daquele momento eu seria apenas um trabalhador seu e que ele seria o proprietário de pleno direito o que eu faria? Bom, primeiro tentaria explicar ao usurpador que estava errado e que deveria sair ou perguntar se ele tinha onde morar e caso não tivesse, talvez eu o pudesse acolher como hóspede. Depois tudo dependeria da atitude dele. Se teimasse em ficar como dono eu pensaria na melhor forma de o expulsar. Se a bem não resultasse, então seria a briga. Iria defender o que é meu nem que corresse risco de morte.
Tudo isto para dizer de forma muito simples que os terrenos africanos tinham dono. Os terrenos indianos tinham dono. Os terrenos chineses, tinham dono. Os terrenos americanos, tinham dono. Chamar pátria a um terreno delimitado por um invasor é ser honesto?
Outro argumento é dito várias vezes. Há quem diga que, AQUILO ESTAVA ABANDONADO E AQUELE POVO NÃO QUERIA TRABALHAR A TERRA E ALÉM DO MAIS ERAM ESTÚPIDOS. Concordam com essa tese? Eu não.
Conheço muita gente que crê em deus, em milagres, que têm opções conservadoras, etc.. Sei que muitos desses que conheço são pessoas honestas incapazes de roubar um centavo a alguém. São incapazes de fazer mal a alguém. No fundo são pessoas boas. Apenas estudaram em cartilhas obscurantistas e viveram no ambiente que lhes deu essa mentalidade.
Vejo aqui no site o fanatismo Salazarista. Eu fui militante da célebre Mocidade Portuguesa da qual não me orgulho. A palavra de ordem era por ordem de valores a seguinte: DEUS, PÁTRIA E SALAZAR e depois meio que sumida vinha a FAMÍLIA. Com que direito vêm certas pessoas escrever sobre o respeito pela família e afirmar que antigamente a família era o pilar da humanidade? Que me lembre, a família na nossa terrinha era feita de falsos valores. As mulheres representavam o papel de pessoa sem pecado (só aos olhos do povo), era a escrava da família, principalmente do marido e se apanhada em adultério era punida como todos nós bem sabemos. O marido era considerado o maioral e cheio de liberdade. Podia ter amantes se tivesse dinheiro para as sustentar e as esposas fingiam que ignoravam para a sociedade se manter no tal dito recanto da moralidade falsa.
Ora bolas, caras amigas e amigos, pensem um pouco ao lerem estes textos do site. A quem interessa toda esta prosa de bota abaixo? Há aqui algum membro que tenha inventado alguma coisa de bom para a humanidade? Aposto que não há. Há aqui alguém que tenha sido nomeado Nobel? Não há. Há aqui alguém que seja cientista e esteja ligado à NASA ou à AEE? Não há. Por favor não acusem os portugueses de se guiarem por cartilhas da URSS. Aqui fizeram política com os que tiveram coragem de ficar e não com os que tiveram a coragem de fugir. Qualquer mudança radical de sistema político tem os seus custos. Cometeram-se muitos erros e fizeram-se muitas coisas boas.
O triste ditador deixou este país atrasado 40 anos em relação à Europa. Os países mais evoluídos do mundo são os nórdicos e tão somente porque não querem saber de assinar concordatas religiosas castradoras da evolução. Eles vivem muito bem sem deus e inventam muita coisa boa que os religiosos utilizam diariamente. Steve Jobs e Bill Gates são ateus e os religiosos e crentes usam a Internet graças a esses cérebros. Como dá jeito usar, não lhes chamam inventores de meios satânicos. Aconteceu o mesmo com a rádio. Inicialmente o inventor foi apupado pelos chefes religiosos mas pouco depois começaram a usar para espalhar a sua voz. Deu jeito, né? Vamos esquecer Galileu e o atraso que a Igreja provocou no planeta ao amordaçar este e muitos mais sábios. Estaríamos hoje vivendo em outra galáxia? Estaríamos hoje mais confiantes em casa sem a preocupação do trabalho? Conheço por aí uns inventores que já me livraram de muita canseira com os inventos deles.
Li também por aqui que os netos de emigrantes portugueses querem ter a nacionalidade portuguesa garantida. É um direito. Mas isso não foi por culpa dos seus antepassados que lhes causou nascerem com outra nacionalidade? Hoje todos querem nacionalidade portuguesa por conveniência. Isso significa que este país está em ALTA apesar de falaram tão mal do estado da nação. Muitos querem porque amam as suas raízes mas a grande maioria quer porque um passaporte português com aquelas estrelinhas é um LIVRE-TRÂNSITO para entrar livremente em todos os países do mundo onde lhes negam a entrada sem um visto consular. Afinal este Portugal está muito melhor do que antigamente onde eu precisava de um salvo conduto para ir a Espanha dar um passeio. País este que não me deixava sair a fronteira tal e qual faziam os países da URSS. Quantos destes emigrantes frequentadores deste site abandonaram Portugal a salto em busca de uma vida mais digna? Digam-me quantos. Sejam honestos. Afinal era bom viver aqui ou era melhor emigrar? Hoje os nossos cientistas não fogem em busca de melhores condições, trabalham e pesquisam aqui e depois colhem os frutos. Eles e o país. Já lá vai o tempo em que depois da tocada para a saída das aulas nas universidades as luzes se apagavam e ficavam vazias. De há uns anos para cá, as universidades têm as portas abertas 24 horas e os alunos e professores trabalham juntos para o bem da humanidade. Quem não acredita que venha ver com os próprios olhos. Exportamos mais tecnologia do que compramos. Cada dia damos resultados ao mundo sobre novas descobertas na área da ciência. Somos bons. Somos realmente muito bons. Tenho orgulho dos jovens do meu país. Eles são o presente e serão o futuro.
Indústrias de transformação e manufacturação não nos interessam. Mão-de-obra barata não é o que nos interessa vender. Temos zonas destinadas à ciência e até os estrangeiros vêm para cá instalarem-se. Vêm responsáveis de grandes marcas internacionais e membros de governos do norte da Europa recrutar alunos nas nossas universidades porque sabem que eles são do melhor que há no mundo. E não recrutam dois ou meia dúzia, recrutam em quantidade. Assim tipo ao molho, 600 de uma assentada. Isto dá que pensar meus amigos. Entrem nos sites dedicados à ciência viva portuguesa e sintam-se orgulhosos. Esqueçam esse passado de trevas e perseguições tanto políticas como religiosas.
Nunca fui a uma ex-colónia como turista. Vivi lá. Nunca fui ao Brasil como turista. Vivi lá.
Nunca tive moleques e mainatos trabalhando para mim por tuta e meia.
Já me alonguei demais.
Fiquem bem e tenham muita saúde.
Abraão
publicado por leituras azedas às 15:25
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